terça-feira, 25 de setembro de 2012

Diretrizes para leitura


Diretrizes para a leitura, análise e interpretação de textos


“Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem, em ciência e em filosofia, estão diretamente relacionados com a correspondente dificuldade que o estudante encontra na exata compreensão dos textos teóricos. Habituados à abordagem de textos literários, os estudantes, ao se defrontarem com textos científicos ou filosóficos, encontram dificuldades logo julgadas insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento teórico.”*

“A leitura analítica é um método de estudo que tem como objetivos:
  1. Favorecer a compreensão global do significado do texto;
  2. Treinar para a compreensão e interpretação crítica dos textos;
  3. Auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico;
  4. Fornecer instrumentos para o trabalho intelectual desenvolvido nos seminários, no estudo dirigido, no estudo pessoal e em grupos, na confecção de resumos, resenhas, relatórios etc.
Seus processos básicos são os seguintes:
  1. Análise textual: preparação do texto; trabalhar sobre unidades delimitadas (um capítulo, uma seção, uma parte etc., sempre um trecho com um pensamento completo); fazer uma leitura rápida e atenta da unidade para se adquirir uma visão de conjunto da mesma; levantar esclarecimentos relativos ao autor, ao vocabulário específico, aos fatos, doutrinas e autores citados, que sejam importantes para a compreensão da mensagem; esquematizar o texto, evidenciando sua estrutura redacional.
  2. Análise temática: compreensão do texto: determinar o tema-problema, a idéia central e as idéias secundárias da unidade; refazer a linha de raciocínio do autor, ou seja, reconstruir o processo lógico do pensamento do autor; evidenciar a estrutura lógica do texto, esquematizando a seqüência das idéias.
  3. Análise interpretativa: interpretação do texto; situar o texto no contexto da vida e da obra do autor, assim como no contexto da cultura de sua especialidade, tanto do ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico; explicitar os pressupostos filosóficos do autor que justifiquem suas posturas teóricas; aproximar e associar idéias do autor expressas na unidade com outras idéias relacionadas à mesma temática; exercer uma atitude crítica diante das posições do autor em termos de:
a) coerência interna da argumentação;
b) validade dos argumentos empregados;
c) originalidade do tratamento dado ao problema;
d) profundidade de análise ao tema;
e) alcance de suas conclusões e conseqüências;
f) apreciação e juízo pessoal das idéias defendidas.

4. Problematização: discussão do texto; levantar e debater questões explícitas ou implicitadas no texto; debater questões afins sugeridas pelo leitor.

5. Síntese pessoal: reelaboração pessoal da mensagem; desenvolver a mensagem mediante retomada pessoal do texto e raciocínio personalizado; elaborar um novo texto, com redação própria, com discussão e reflexão pessoais.

Texto de autoria do Prof. Antônio Joaquim Severino. Professor titular de Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da USP, na categoria de Professor Associado, MS-5, lotado no Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação.



*Severino, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

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