Diretrizes para a leitura,
análise e interpretação de textos
“Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem,
em ciência e em filosofia, estão diretamente relacionados com a correspondente
dificuldade que o estudante encontra na exata compreensão dos textos teóricos.
Habituados à abordagem de textos literários, os estudantes, ao se defrontarem
com textos científicos ou filosóficos, encontram dificuldades logo julgadas
insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente
acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento
teórico.”*
“A leitura analítica é um método de estudo que tem
como objetivos:
- Favorecer
a compreensão global do significado do texto;
- Treinar
para a compreensão e interpretação crítica dos textos;
- Auxiliar
no desenvolvimento do raciocínio lógico;
- Fornecer
instrumentos para o trabalho intelectual desenvolvido nos seminários, no
estudo dirigido, no estudo pessoal e em grupos, na confecção de resumos,
resenhas, relatórios etc.
Seus processos básicos são os seguintes:
- Análise
textual:
preparação do texto; trabalhar sobre unidades delimitadas (um
capítulo, uma seção, uma parte etc., sempre um trecho com um pensamento
completo); fazer uma leitura rápida e atenta da unidade para se adquirir
uma visão de conjunto da mesma; levantar esclarecimentos relativos ao
autor, ao vocabulário específico, aos fatos, doutrinas e autores citados,
que sejam importantes para a compreensão da mensagem; esquematizar o
texto, evidenciando sua estrutura redacional.
- Análise
temática:
compreensão do texto: determinar o tema-problema, a idéia central e
as idéias secundárias da unidade; refazer a linha de raciocínio do autor,
ou seja, reconstruir o processo lógico do pensamento do autor; evidenciar
a estrutura lógica do texto, esquematizando a seqüência das idéias.
- Análise
interpretativa:
interpretação do texto; situar o texto no contexto da vida e da
obra do autor, assim como no contexto da cultura de sua especialidade, tanto
do ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico; explicitar os
pressupostos filosóficos do autor que justifiquem suas posturas teóricas;
aproximar e associar idéias do autor expressas na unidade com outras
idéias relacionadas à mesma temática; exercer uma atitude crítica diante
das posições do autor em termos de:
a) coerência interna da argumentação;
b) validade dos argumentos empregados;
c) originalidade do tratamento dado ao problema;
d) profundidade de análise ao tema;
e) alcance de suas conclusões e conseqüências;
f) apreciação e juízo pessoal das idéias
defendidas.
4. Problematização: discussão do
texto; levantar e debater questões explícitas ou implicitadas no texto;
debater questões afins sugeridas pelo leitor.
5. Síntese pessoal: reelaboração
pessoal da mensagem; desenvolver a mensagem mediante retomada pessoal do
texto e raciocínio personalizado; elaborar um novo texto, com redação própria,
com discussão e reflexão pessoais.
Texto de autoria do Prof. Antônio Joaquim Severino.
Professor titular de Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da USP, na
categoria de Professor Associado, MS-5, lotado no Departamento de Filosofia da
Educação e Ciências da Educação.
*Severino, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

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