Leandro Pereira Matos - Todos os alunos podem aprender
"Meu primeiro trabalho na rede pública foi com turmas de 6º, 7º e
9º anos e, no início, me senti desanimado. Os alunos eram indisciplinados, não
tratavam bem uns aos outros e discutiam bastante. O contexto social em que
viviam era difícil e cheguei a questionar se seria mesmo possível ensinar
diante dessas circunstâncias. Mas, em vez de desistir, resolvi investigar
melhor o porquê da indisciplina - e isso fez toda a diferença no meu trabalho.
Percebi que, ao não se sentirem ouvidos, os jovens perdiam o interesse pelas
aulas. Era necessário valorizar o que eles sabiam e, sobretudo, respeitar seu
cotidiano. Fiz isso, por exemplo, quando discuti a situação dos negros hoje,
traçando um paralelo com as questões históricas da escravidão. Ouvi o que
pensavam sobre isso: muitos citaram o preconceito como um grande problema
vivido por eles. Assim, a aprendizagem do conteúdo começou a fazer sentido e
eles passaram a ficar mais atentos às aulas. Ainda assim, se surgia alguma
briga, eu deixava claro que, como qualquer outro lugar, a sala de aula também
tem normas de convivência. Em vez de impor regras, coloquei o tema em discussão
e os atritos diminuíram. O que me fez mudar a postura foi a crença de que
todos, independentemente de seu histórico e comportamento, têm a capacidade e o
direito de aprender e, por isso, devemos sempre esperar o melhor de cada um.
Todo docente deve analisar cada caso, olhar para as dificuldades de
convivência, pensar em estratégias para sanar os problemas e criar o melhor
ambiente para a aprendizagem. Envolver os pais nesse processo ajuda. Deixo
claro para eles que é essencial mostrar aos filhos como se importam com a vida
escolar deles. O que ocorre na sala de aula é reflexo da Educação como um todo.
Para discutir com colegas sobre como as políticas públicas se afastam ou se
aproximam do que o docente precisa, me tornei monitor no Centro de Políticas
Públicas e Avaliação da Educação, da Universidade Federal de Juiz de Fora
(UFJF). Essa reflexão deveria se estender a todos nós, professores, os
principais interessados, juntamente com os alunos, na melhoria da qualidade do
ensino."
Leandro Pereira Matos, 26 anos, professor de História na EM União da Betânia, em Juiz de Fora, a 276 quilômetros de Belo Horizonte

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